A despedida de domingo foi regada a muitas lágrimas. Minha mãe parecia que ia morrer. Tanto, que o homenzinho da rodoviária disse que ela nem precisava pagar a tarifa pra me acompanhar até o ônibus. Uma mulher chorando ele até aguentava... mas duas ao mesmo tempo era doído demais!
Entro no ônibus com aquela cara horrorosa e as pálpebras parecendo de um peixe-boi. Procuro pela minha poltrona e o que encontro? Um homem Lindo (com L maiúsculo mesmo!). Ele tava ali, sentado do meu lado e a cena parecia de comédia-romântica. Mas, na boa, com aquela cara, como puxar assunto??
Vi que havia uma grande distância entre nós: enquanto eu lia tudo sobre a expectativa da votação de Renan, ele leu uma matéria sobre o jogo do fluminense e jogou o jornal fora. Mas tudo bem, a gente consegue superar isso. O pior mesmo continuava sendo a minha cara de choro.
Uns minutos depois, respiro fundo. Decido que quero ouvir a voz dele, mesmo que para isso eu tivesse que dizer a primeira palavra. Me preparo, viro na direção dele e... ele já tá dormindo! Restou-me apenas o brigadeiro que a Vivi fez especialmente pra viagem. Aliás, estava uma delícia amiga!
Algumas horas depois, chego a Campos dos Goytacazes. Quando o táxi para na porta do hotel, eu começo a sentir medo, muito medo. A fachada de motel de beira de estrada se soma aos muitos caminhões parados na porta. A essa altura já estou apavorada.
O quarto é grande. Três camas de solteiro, guarda-roupa, uma mesa de madeira, uma televisão em versão pocket e... não, não tem geladeira. Vou ao banheiro e, para minha surpresa, ele é limpo e tem água quente. Pena que a torneira dá choque. Sigo para a janela na esperança de ter uma vista compensadora. Pena que ela se abra feito basculhante e só dê pra ver um muro branco, pintado de cal.
É aí que olho as malas. Vejo minha vida empacotada, ali naquele canto do quarto. É como se tivessem me espremido pra poder caber em um novo lugar. Um lugar que não é mais Sulacap. Que não é mais aquele apartamento onde aprendi a engatinhar e onde caminho no escuro pra pegar o copo d'água na madrugada. Simplesmente não é mais. E aí, mais lágrimas.
Vou em busca de ar e um computador com internet. E ali, "teclando" com os amigos voltei a respirar. Mondaini me manda segurar a onda e não chutar o balde. Marcela me obriga a tentar fazer o cadastro dela para receber por e-mail avisos de trânsito astrológico. Scraps sinceros me deixam feliz. Sinto que consigo suportar pelo menos mais um dia. Pelo menos mais um...
Na volta pro quarto de hotel, mais um alento: um ótimo episódio de Cold Case.
O dia foi longo, mas consigo dormir.
segunda-feira, 17 de setembro de 2007
Assinar:
Postar comentários (Atom)

8 comentários:
Fala mulé de roça, não adianta fugir... hahaha
Vai virar minhoca da terra...kkkkkk
Ficou legal a história, confesso q quase..snif...quase...snif...chorei de tanto rir em saber como foi a transição Vida Urbana pra Vida Rural...hUAHuhauHAUhuhUAHUa...
De boa Li, desejo sucesso pra vc e q possa voltar logo pra cá bem sucedida.
Mil abraços e td de bom!
^^
Pois é... de Sulacap para o mundo!
Sempre achei que vc deveria ter feito isso, garota...
Chorei agora junto com o texto (acho que não vale muito, estou a maior manteiga, rsrssr).
Ah, inclui aquele teu texto que saiu no blog da sua amiga, a do homem enigmático, rsrsrs
Bjks,
Lali
Lili, chorei lendo o texto... imaginando voc~e aí no primeiro dia!
Depois disso já te vi e sei que está tudo bem, o que me deixa muuuuito feliz!!!
Muita sorte nessa nova caminhada, queridona!!!!
Sucesso!!!!
Fica bem e qq coisa estamos aí! =)
beijocas =)
Lilian, que ótima iniciativa!
hhahahahaha muito boas as histórias!
Ri, mas tb quase chorei. Acho q a lágrima não veio pq agora sei que as coisas estão se encaminhando.
Sucesso! Volta pra gente pegar uma praia! ;)
bjos
Amiguinha querida,
enquanto lia, parecia que vc estava do meu lado narrando a historia. Serio. Pude ate mesmo ouvir a tua voz. Um conforto, se me dou conta dos quilometros de distancia q nos separam nesse exato momento... Vc sabe o quanto eu te entendo...
Mas e isso ai! Aguenta firme q logo logo vc vai voltar para o Rio =)
Saudadeeeeee
bjao
Aaaaah, eu crente q sairia um conto interessante com o carinha do ônibus... rs
Continuarei acompanhando suas aventuras...
Parabéns pela independência!
Beijocas!
:o)
muito boa história... e belo blog... sucesso e boa sortepra vc
Postar um comentário